Diferenças ERP e CRM

ERP vs. plataforma de reservas ou CRM?

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Um vendedor abre o CRM para ver o histórico de um cliente, entra no sistema de reservas para confirmar disponibilidade de um hotel e depois verifica um terceiro programa para saber se esse cliente já pagou. Três telas, três logins, a mesma venda. A pergunta que se repete em quase toda agência não é qual dos três sistemas convém mais, mas o que acontece quando o ERP, o CRM e o sistema de reservas não se comunicam entre si.

Por que se confundem o ERP, o CRM e o sistema de reservas

Os três termos aparecem juntos com tanta frequência que acabam soando intercambiáveis, embora cada um responda a uma pergunta distinta dentro da operação. O CRM responde quem é este cliente e o que ele precisa: quais destinos consultou, qual orçamento tem pendente, quando foi o último contato. O sistema de reservas responde qual disponibilidade há e a que tarifa em um fornecedor determinado, algo que o CRM não sabe e não precisa saber. O ERP responde uma terceira pergunta, distinta das duas anteriores: o que gerou esta venda na contabilidade da agência, uma vez que o cliente já confirmou e a reserva já ficou assegurada. Três perguntas, três funções, e nenhum sistema pensado para substituir os outros dois.

O que faz cada sistema quando trabalha separadamente

Um CRM centraliza a relação comercial: contatos, cotações pendentes, histórico de conversas. Já exploramos o que é um CRM e como pode ajudar uma agência de viagens com mais detalhes em outro artigo, então basta assinalar aqui que sua função é comercial, não contábil nem operativa.

O sistema de reservas cumpre um papel distinto. Ocupa-se da disponibilidade, das tarifas e das confirmações com fornecedores, sem levar registro da relação com o cliente nem dos movimentos financeiros que essa reserva gera depois. Existem distintos tipos de sistemas de reservas segundo o modelo de agência, mas nenhum deles foi projetado para cumprir a função que corresponde a um ERP, nem faria sentido que o fizesse: misturar essas responsabilidades é o que costuma tornar lento e confuso um sistema que em princípio deveria ser simples.

O que mostram os dados sobre a conexão real entre estes sistemas

O relatório de digitalização de PMEs turísticas da Secretaria de Estado de Turismo da Espanha, elaborado através da SEGITTUR, mede oito áreas distintas de maturidade digital nas empresas do setor turístico. A área de sistemas digitais, a que avalia quantas ferramentas usa cada negócio e quão conectadas estão entre si, alcançou um nível de 46,8%, abaixo do talento do pessoal (54,2%) e do marketing e vendas (52,5%). O mesmo relatório assinala entre as barreiras mais frequentes o orçamento reduzido, o pouco tempo disponível da equipe e o desconhecimento de por onde começar a ordenar a transformação digital.

O dado confirma algo que se observa todos os dias na operação real: as agências somam ferramentas mais rápido do que as conectam. Ter um CRM, um sistema de reservas e uma planilha de contabilidade não equivale a ter um fluxo de trabalho integrado, e essa distância entre adotar tecnologia e conectá-la é exatamente onde entra um ERP. Antes de somar uma quarta ferramenta para resolver esse problema, convém revisar o que deve ter um bom ERP para agências de viagens, em vez de assumir que qualquer sistema novo vai resolver uma desconexão que já existe entre os atuais.

O fluxo de venda sem um ERP que conecte o CRM e as reservas

Pensemos em uma venda comum. Um cliente pede uma cotação por WhatsApp. O agente a monta manualmente e a envia por e-mail. Quando o cliente confirma, o agente entra no sistema de reservas para assegurar o hotel, e depois tem que avisar por outro canal à área de cobranças, que registra o pagamento em uma planilha separada porque não tem acesso direto à reserva. Se o cliente pede uma mudança de data dois dias depois, alguém tem que repetir boa parte desse percurso: voltar ao sistema de reservas, avisar novamente a cobranças, atualizar a cotação original. Somente ao final do mês, alguém da contabilidade junta os três registros (a cotação, a reserva e o pagamento) para reconstruir quanto deixou realmente essa venda.

O mesmo fluxo, com um ERP que conecta o CRM e as reservas

A mesma cotação muda de forma quando há um ERP envolvido. O CRM registra o pedido do cliente e, ao confirmar-se, a reserva é gerada desde o mesmo ambiente sem reingressar dados. A cobrança fica associada automaticamente a essa reserva e o ERP produz o movimento contábil correspondente: o que se cobrou, o que se deve ao fornecedor e a margem da operação.

Esse último ponto costuma passar despercebido, mas é onde mais se nota a diferença. Uma mudança de data já não implica repetir o percurso em três sistemas distintos, porque a reserva, a cobrança e o movimento contábil estão vinculados desde a origem. E a margem dessa venda fica disponível para quem precisar consultá-la nesse mesmo dia, não ao fechamento do mês.

Como muda esta diferença segundo o tipo de agência

O peso de cada sistema não é igual em todas as agências. Em uma agência emissora, com alto volume de consultas diárias, o CRM costuma ser o primeiro gargalo: perder o fio de uma conversa com um cliente custa vendas concretas. Em uma empresa de turismo receptivo, o ponto crítico costuma estar na coordenação operativa entre reservas e fornecedores, onde uma mudança de última hora precisa refletir-se em vários lugares ao mesmo tempo. Em um operador atacadista, a prioridade quase sempre é financeira: saber com precisão qual margem deixa cada pacote vendido a outras agências.

Estas três prioridades (comercial, operativa e financeira) são, em definitivo, as mesmas três funções que cobrem o CRM, o sistema de reservas e o ERP. Nenhuma agência escolhe uma só. O que muda segundo o modelo de negócio é qual das três dói primeiro quando falta.

Três sistemas, uma só operação

A pergunta inicial (ERP, CRM ou sistema de reservas) parte de uma ideia equivocada: que é preciso escolher um. Na prática, uma agência que cresce acaba precisando dos três, e o que determina se essa combinação funciona não é qual se compra primeiro, mas quão cedo começam a comunicar-se entre si. Plataformas como Toursys nasceram para resolver justamente essa combinação: o CRM, as reservas e o ERP convivem no mesmo ambiente, de modo que cada confirmação de venda chega acompanhada de sua informação comercial, operativa e financeira ao mesmo tempo, sem que seja necessário pedi-la separadamente.

Quantas vezes por semana sua equipe tem que pedir a outro sistema uma informação que já deveria ter?

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Escrito por

Luis Cardenas

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