Como digitalizar um DMC sem abrandar as operações diárias

A digitalização de um operador inbound não é um projeto pontual ou uma “atualização tecnológica”. É uma decisão que tem um impacto direto na forma de cotar, operar, confirmar com os fornecedores e controlar a rentabilidade de cada serviço. Por isso, um dos maiores receios ao embarcar neste caminho é claro: como incorporar uma plataforma digital sem perturbar ou parar a operação diária.

Este artigo não pretende convencer-te a comprar software, mas sim ajudar-te a pensar quando, porquê e como faz sentido digitalizar a tua operação de entrada. Mesmo – e isto é fundamental – antes de analisar fornecedores ou soluções específicas.

Porque é que a digitalização de um operador de entrada é mais complexa do que parece

No turismo recetivo, a operação não pára. Há serviços em curso, passageiros no destino, fornecedores com diferentes timings e mudanças constantes em tempo real. Esta complexidade é intensificada quando a operação inclui grupos, eventos corporativos ou programas MICE, onde a coordenação de múltiplos serviços e actores ocorre em tempo real.

Muitos operadores funcionam durante anos com uma combinação de folhas de cálculo, e-mails, documentos partilhados e conhecimentos tácitos da equipa. O sistema “funciona”, mas fá-lo confiando em pessoas-chave e com uma elevada tolerância ao erro. O problema surge quando o volume aumenta, a equipa muda ou quando são geridas operações de maior escala e mais exigentes, como grupos ou viagens de negócios.

Digitalizar, portanto, não é adicionar tecnologia: é tornar explícitos processos que anteriormente estavam na cabeça de alguém. E em contextos como o MICE, onde pequenas perturbações são rapidamente amplificadas, esta transição requer critérios, sequência e apoio para não afetar as operações diárias.

Que problemas surgem frequentemente quando a digitalização é atrasada?

Não digitalizar não é uma decisão neutra. Com o tempo, surgem sintomas que muitas vezes se normalizam, mas que indicam um limite operacional.

Erros nas tarifas actualizadas, confirmações em duplicado, dificuldade em saber o que está confirmado e o que não está, dependência excessiva de certas pessoas ou a impossibilidade de ter uma visão clara da rentabilidade real por operação. Tudo isto não acontece de um dia para o outro, mas progressivamente.

O maior risco não é o erro pontual, mas o retrabalho constante. A equipa passa mais tempo a corrigir, rever e remontar informação do que a melhorar a experiência do cliente ou a pensar estrategicamente sobre o negócio.

Quando um operador recetivo está pronto para digitalizar

Nem todas as empresas se encontram na mesma fase. A maturidade operacional não tem apenas a ver com a dimensão, mas também com a complexidade.

Um operador está normalmente pronto para digitalizar quando o volume e a complexidade dos serviços – especialmente em grupos, viagens de negócios ou programas MICE – já não permitem um controlo manual fiável, quando várias áreas estão envolvidas na mesma reserva ou quando os tempos de resposta começam a depender de “quem está disponível” em vez de um processo claro.

Outro indicador-chave é quando a operação começa a condicionar o crescimento. Há procura, há oportunidades, mas o medo de perder o controlo impede novas vendas. Nessa altura, a digitalização deixa de ser uma melhoria opcional e passa a ser uma decisão estratégica.

Digitalizar sem abrandar a operação: o erro mais comum

O erro mais comum é tentar mudar tudo ao mesmo tempo. A migração de dados, a formação da equipa, a redefinição de processos e o funcionamento em paralelo criam muitas vezes mais caos do que ordem.

Uma implementação bem pensada não substitui a operação de um dia para o outro. Acompanha-a. Primeiro os sistemas coexistem, depois a informação crítica é migrada e só depois os processos mais sensíveis são automatizados.

A chave não é a velocidade, mas a sequência. Digitalizar sem abrandar significa aceitar uma transição gradual, com objectivos claros em cada fase.

Passo a passo concetual para uma digitalização ordenada

Diagnóstico operacional antes de qualquer ferramenta

Antes de falar de plataformas, é necessário responder a perguntas incómodas: Onde é que ocorrem mais erros? Que informação é duplicada? Que processos dependem de uma única pessoa? Que parte da operação consome mais tempo sem acrescentar valor? Este diagnóstico não é técnico, é operacional. Permite-te compreender o que deve ser pedido primeiro e o que esperar.

Exemplo: O operador apercebe-se que o mesmo orçamento existe em três versões diferentes (e-mail, folha de cálculo e Word) e que qualquer alteração gera confusão e retrabalho. Percebe então que trabalhar com um único modelo de orçamento online, que é automaticamente atualizado quando um serviço é modificado, reduz os erros e volta a controlar a operação.

Define quais os processos que devem ser centralizados

Nem tudo deve ser digitalizado ao mesmo tempo, especialmente em operações que envolvem grupos ou programas MICE, onde a coordenação de múltiplos serviços requer uma transição particularmente cuidadosa. No inbound, muitas vezes faz sentido começar pelas cotações, confirmações e acompanhamento de serviços, porque é aqui que se concentra grande parte do desgaste operacional. Centralizar não significa automatizar tudo, mas sim garantir que as informações essenciais se encontram num único local e são partilhadas por toda a equipa.

Exemplo: A equipa detecta que as vendas e as operações tratam de estados diferentes da mesma reserva. Compreende então que centralizar o estado das cotações e confirmações num único local evita interpretações cruzadas e erros.

Implementar sem quebrar a lógica de funcionamento

Uma boa implementação respeita a lógica empresarial. Não obriga a operação a adaptar-se artificialmente à ferramenta, mas acompanha os fluxos de trabalho reais. Quando o sistema obriga a forçar processos que não reflectem a realidade do destino, surgem atalhos, folhas de cálculo paralelas e resistências internas.

Exemplo: os fornecedores continuam a confirmar por e-mail ou WhatsApp, mas essa informação perde-se entre mensagens. Assim, a equipa compreende que registar cada confirmação num sistema partilhado arruma a operação sem alterar a forma como trabalham.

Formação por etapas, não por manuais

A adoção não acontece numa formação inicial. Acontece quando a equipa vê que a ferramenta lhe permite poupar tempo real no seu trabalho diário. A formação por fases, centrada em casos reais e não em funcionalidades abstractas, é normalmente muito mais eficaz do que tentar mostrar “tudo” desde o início.

Exemplo: A equipa fica sobrecarregada quando tenta aprender todas as funções ao mesmo tempo. Depois, compreende que começar pelas mais importantes facilita a adoção real.

O impacto real de uma digitalização bem implementada

Quando a digitalização é bem implementada, o impacto começa a fazer-se sentir do lado do cliente, tanto nas viagens individuais como na gestão de grupos e programas MICE, onde a clareza e a rapidez de resposta são decisivas. As respostas são mais rápidas, as cotações são claras e consistentes e as alterações são comunicadas sem contradições. Para o passageiro – e para as agências que actuam como intermediárias – a experiência torna-se mais fiável, porque percebe que existe uma operação sólida por detrás.

Esta ordem interna traduz-se numa imagem mais profissional do operador que chega:

  • propostas coerentes, sem cruzamento de versões ou correcções posteriores;
  • maior previsibilidade nos prazos e confirmações;
  • capacidade de reagir com segurança a mudanças ou acontecimentos imprevistos.

A empresa deixa de “resolver à pressa” e começa a posicionar-se como um parceiro de destino especializado.

Em geral, processos mais eficientes não só poupam tempo à equipa, como também aumentam o nível de serviço. A digitalização, entendida desta forma, não se trata de exibir tecnologia, mas de criar confiança, reforçar o posicionamento e sustentar relações comerciais mais profissionais e duradouras.

Pensar na digitalização como um processo e não como um projeto

A digitalização de um operador inbound não é um marco que está “acabado”, mas uma base que se constrói. Uma vez que a operação esteja em ordem, abre a possibilidade de escalar, integrar novos mercados ou melhorar a experiência do cliente sem perder o controlo.

Antes de avaliar os fornecedores, os preços ou a funcionalidade, o verdadeiro valor está em compreender a tua própria operação, os seus limites actuais e para onde a queres levar. A tecnologia certa vem depois, quase como uma consequência.

Digitalizar não é correr mais depressa. É saber exatamente em que ponto estás enquanto avanças.

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp

Transforma a tua agência de viagens hoje

Junta-te a centenas de agências que já estão a crescer com a Toursys

Visítanos en WTM Londres